Maria Fernanda Lucena

Sonatina em linha curva

11/05/2019

A liberdade das imagens

aprisionadas em dispositivos técnicos começa a ser recuperada no momento em que se perdem de seus antigos donos pelos quais eram organizadas apenas por conveniências narcísicas. A melancolia de tal ambiente em que eram usadas para guardar o passado perdido as marca profundamente e por isso amargam os vestígios das dores dos outros. A resistência silenciosa que exercem as permite representar também seus próprios interesses. É preciso os saber identificar e para os mostrar é preciso que sejam montadas de modo que o efeito acumulado revele a paisagem, a sonatina, escondida. Existe uma linha curva entre as imagens, que, se seguida, permite que a preferência delas apareça. Elas são pelos horizontes em suas luzes variadas, pelos vasos de planta, pelas pessoas distraídas e pelos sentimentos que se quer esconder e ainda pela tensão superficial preservada nas piscinas. Em suma, as imagens, mesmo sendo obrigadas a fazer o que não querem, insistem no amor delas pela verdade, mesmo clandestinamente. Lucena as reconhece em seus motivos e exerce a montagem para que possa devolver o que é delas: um ambiente passível de ser habitado, para, como o ruído absorvido pela música, tenhamos a chance de ser como elas.

 

 

 

Cesar Kiraly

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